segunda-feira, 29 de outubro de 2012

RADIOTERAPIA: MITOS E VERDADES





 Dr. Allisson  Borges
CREMEGO 13229
Radioncologia – CGO – Centro Goiano de Oncologia
Coordenador da Residência Médica em Radioterapia – Hospital Araújo Jorge





A Radioterapia é o tratamento utilizando radiações ionizantes. O Tratamento foi descoberto, acidentalmente por Wilhelm Roetgten, no fim do século XIX, quando expôs à radiação (previamente desconhecida) a mão de sua esposa. De lá pra cá, a radiação começou a ser usada no meio médico, ou na forma diagnóstico ou na forma de tratamento. Com o passar dos anos, os médicos foram percebendo que a radiação exercia um importante papel no controle ou cura de lesões de crescimento rápido (neoplasias malignas), e aprimorando as técnicas de radioterapia. Com isso, máquinas que então utilizavam elementos radioativos, foram sendo substituídas pelos Aceleradores Lineares, ou seja aparelhos que não utilizam fontes radioativas, mas sim energia vindo de corrente elétrica. Técnicas arcaicas, foram sendo aprimoradas, com o objetivo de ganhar acurácia e diminuir a dose de radiação em tecidos normais, transformando a radioterapia em um tratamento eficaz em quase todos os tipos de tumores, tanto de maneira exclusiva, complementar a cirurgia (pré ou pós operatória) ou paliativa (quando o objetivo do tratamento visa o ganho de qualidade de vida, como melhora de dor, sangramento, entre outras).
Com isso, hoje, cerca de 70% dos pacientes oncológicos irão necessitar de radioterapia em algum momento de seu tratamento, surgindo assim as mais variadas dúvidas tanto dos pacientes quanto dos médicos que estão distantes das áreas oncológicas. Tentarei aqui nesse blog nortear os pacientes que irão submeter a esse tratamento a fim de tentar ajudar de alguma forma a encara-la de uma forma mais amena:

Quais são os efeitos colaterais do tratamento?
Ao contrário da quimioterapia, a Radioterapia na sua grande parcela, não causa efeitos sistêmicos, apenas efeitos locais, ou seja, no campo da irradiação.  Portanto uma paciente que está sendo irradiada por uma lesão no colo do útero, não terá alopécia (queda de cabelo), náuseas e vômitos, decorrentes da radioterapia. Porém ela poderá ter sintomas pélvicos, como diarréia, flatulência, sintomas urinários e fadiga. Outro exemplo, pacientes que tratam a mama com radioterapia apresentarão basicamente sintomas locais, sendo o mais comum a radiodermite (lesão na pele provocada pela Radioterapia) podendo variar de grau I (quando a pele fica apenas vermelha) até a grau IV (quando há ulceração e sangramento, menos freqüente hoje em dia com ás técnicas mais modernas de tratamento).

Como funciona a Radioterapia?
A radioterapia funciona utilizando a radiação, produzida pelo Acelerador Linear ou pela fonte radioativa (como na Braquiterapia), a fim de destruir as células tumorais. Isso ocorre pois a radiação tem a propriedade de quebrar a molécula de DNA do tumor induzindo-o assim a morte celular (que pode ser a destruição da célula ou perda da capacidade de duplicação), de uma forma direta ou, principalmente, indireta, através das moléculas de água e oxigênio presentes nas células, por isso o estado nutricional do paciente é extremante importante durante todo o tratamento. As células tumorais, geralmente, são mais sensíveis a radiação do que as células normais, isso porque elas apresentam uma divisão celular rápida e desordenada fazendo com que o seu núcleo fiquem mais expostos aos efeitos da radiação, por isso que o dando tumoral tende a ser maior do que o dano nas células saudáveis.


Como é definido o tempo de tratamento?
Geralmente a radioterapia é feita todos os dias, de segunda as sextas-feiras, com aplicações diárias (chamado de fracionamento convencional). Alguns tipos de tumores podem ser beneficiar de esquemas alternados, ou duas vezes ao dia, ou esquemas em menos frações, dependo de vários fatores, como tipo histológico, localização dos tumores, estado físico do paciente. Cada aplicação de radioterapia dura, em média 15 a 20 minutos.

O que é Radiocirurgia?
Radiocirurgia é o tratamento de radioterapia utilizado em fração única ou até 5 frações, em volumes pequenos, guiados por um mecanismo de estereotáxia (arco estereotáctico ou radioterapia guiada por imagem). A grande aplicação desta modalidade de tratamento se dá em tumores localizados no sistema nervoso central, como metástase, ou em lesões benignas como Neurinomas, Malformações artério-venosas e Meningeomas. Nesse tratamento, não há cortes e nem anestesia geral, basicamente o paciente realiza o procedimento e vai para casa no mesmo dia. Em alguns tumores, como os tumores inicias (T1-T2N0M0) de pulmão também podem ser submetidos a Radiocirurgia (Radioterapia estereotáctica corpórea) quando não são candidatos a cirurgia, com resultados bem animadores.

O que é braquiterapia?
A braquiterapia é o tratamento de radioterapia utilizando-se fontes radioativas que são colocadas em contato com o tumor. Normalmente é um tratamento invasivo, onde se dá uma dose alta de radiação na área do tumor, com uma baixa dose nos tecidos normais circundantes. Os tumores ginecológicos (endométrio e colo de útero) são aqueles em a braquiterapia é mais utilizada. Os tumores de próstata e algumas neoplasias oculares podem se beneficiar com essa modalidade.

Quais são os cuidados que o paciente em radioterapia deve ter?
Os cuidados basicamente, são os mesmos em que qualquer paciente em tratamento oncológico deve ter: Repouso, evitar exposição solar na área irradiada, alimentação leve, evitando alimentos gordurosos, gaseificados e ricos em temperos fortes, como pimenta. O mais importante é sempre seguir as orientações do radioncologista responsável pelo caso, e sempre avisá-lo quando houver algum sintoma ou dúvida.


2 comentários:

  1. Esta página tem bastante explicações sobre radioterapia http://oncomogi.com.br/infraestrutura/radioterapia/

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  2. Obrigada ...
    OLharemos sim, informação nunca é demais...

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