segunda-feira, 28 de abril de 2014

ADEUS CARA DE MINHOCA!

Passado uns quinze dias da primeira quimio, notamos que nossos queridos cabelinhos começam a cair...ou melhor despencar! rs. Com um pouco mais de atenção, percebemos que os pelinhos também acompanham esse movimento de rebeldia.

Aos poucos vamos ficando sem cabelo, cílios, sobrancelhas... teoricamente ficamos sem nenhum pelo no corpo. Claro que nem todo organismo é igual e que cada medicamento tem seus efeitos colaterais, mas no geral esse é o momento de trocar as 'penas' da águia. Lembra do post que falo sobre a águia? Para recordar: 

http://projetocicatrizar.blogspot.com.br/2013/01/somos-todas-aguias.html#.U16a61VdW2Y

Então, chega aquele momento: a cara de minhoca aparece! Sem cílios, sem sobrancelha e sem cabelo... e muitas vezes o rostinho tipo lua, em virtude dos corticóides... Aiiiiiiiin Apavorante neh? kkkkkkkkkkkk. Mas temos ao nosso lado a indústria querida de cosméticos que vem desenvolvendo uma série de produtos que podem nos auxiliar!

Uma dessas soluções, encontrei pesquisando na internet, uma maneira de diminuir minha insatisfação de ficar com a cara de minhoca e redonda ainda por cima! kkkkkkkk. E eis que encontrei, PRÓTESES DE SOBRANCELHAS! Claro que podemos também usar cílios postiços e toda sorte de maquiagem e quase tudo se resolve! 


O importante é que qualquer ferramenta que se utilize tenha como finalidade aumentar nossa auto-estima, pois encarar a quimioterapia é um desafio. E tendo bom humor, tudo se torna mais fácil. Então, durante esse momento de renovação celular provocada pela quimio, vamos usar e abusar daquilo que nos faz brilhar os olhos! 

sexta-feira, 25 de abril de 2014

DA SÉRIE: COMPARTILHANDO EMOÇÕES POR ROSÂNGELA MELO


Escritora, talvez este seja o maior desafio a mim já proposto: escrever o outro lado do tratamento contra o câncer. O outro lado, este de cá, de quem nunca esteve doente, mas está constantemente diante de pessoas amadas que passam pelo tratamento contra a doença. A intenção é dizer aos leitores quais os sentimentos, as emoções, as contradições, as duvidas, os temores e os aprendizados que podemos levar diante da circunstancia. A dor que o outro vive, a dificuldade do tratamento, o medo da doença às vezes desconhecida, as formas de lidar com tantas mudanças, enfim, tomara consigamos alcançar um dialogo entre o blog e os leitores, estejam em tratamento ou acompanhando quem se trata. E que as palavras sejam, sempre, companhias em nosso caminhar. Sejam bem vindos ao compartilhando as emoções, uma serie de textos reais, baseados na realidade de nossos sentimentos. Estarei, sempre, aberta às criticas e idéias novas – novos senti mentos e olhares. Tomara que aprendamos juntos e possamos ensinar.

Parte I – Recebendo a Notícia

Ainda me lembro a primeira vez que ouvi a frase: “ela está com câncer”. A onda de sentimentos, o medo do desconhecido, da morte, o mix de sentimentos confusos oscilando entre “ela vai morrer” e “vamos lutar até achar a cura”. Compreendo que a primeira vez que um ente querido é diagnosticado com câncer o sentimento é de pavor: nós sentimos medo. Não sabemos o que vem a seguir, não sabemos o que dizer a quem está doente, não sabemos se paramos o mundo pra ficar com aquela pessoa que tanto amamos ou se tocamos a vida e ajudamos como pudermos. O segundo sentimento é o que determinará nossa própria vida.
Aos 23 anos minha irmã mais velha foi diagnosticada com um câncer de tireóide. “Um câncer comum de fácil de tratar” falou o médico, com a família reunida à sala de consultas. O que viria a seguir certamente seria inesperado, mas grandioso: o vivenciar aquela luta contra uma doença tão difícil pode ser um martírio ou uma lição. Somos nós, expectadores, que escolhemos o que vamos tirar do acompanhamento e do desenrolar das histórias vividas. E mais: nós determinamos o que serão nossos relacionamentos com o paciente em tratamento, do momento em que recebemos a noticia em diante.

Após a cirurgia e o inicio do tratamento, quem acompanha tem a dura escolha de aprender com o processo ou simplesmente se tornar expectador e sofrer a dor do desconhecido. Por isso afirmo que nosso segundo sentimento comandará o resto da caminhada: se escolhemos aprender, olhar mais a fundo o caminhar lado a lado para saber até onde podemos aprender com processo tão doloroso a pessoas a quem tanto amamos, certamente poderemos colher aprendizados para nós, nossas próprias vidas e como a encaramos em nossas rotinas.

Duas coisas posso afirmar, com absoluta certeza, após os 15 anos de tratamento de minha irmã, escolhendo andar junto e não apenas sendo expectadora: hoje cuido mais de mim, presto mais atenção aos sentimentos alheios, me preocupo mais com o sofrimento de quem está doente, procuro ser auxilio e não entrave a quem precisa de apoio durante esse processo que, definitivamente, não é fácil nem de simples tratamento.

Que os próximos capítulos de nossas “conversas” eu possa me aprofundar ainda mais nesse mar de sentimentos, aprendizados e descobertas que a vida nos traz quando ouvimos a frase – não tão temida mais  - “ela está com câncer”.


Até a próxima! 


Texto por: Rosângela Melo, Jornalista, Escritora, amiga/irmã do coração e mãe da Bia! ;)

Se você quiser compartilhar emoções aqui conosco, escreva para: cicatrizar@gmail.com e seja bem vinda (o)!

quarta-feira, 9 de abril de 2014

DA SÉRIE: MEDITANDO SOBRE O CÂNCER.


E aí meninas?! Tem algumas questões que sempre ficam rodando na cabeça da gente! Como? Porque? Pra que? Com o passar do tempo, sabemos falar de quimioterapia, de radioterapia, hormonioterapia... e terapia em questão de câncer é o que não falta! rs.

Mas o que fica no ar sempre é... De onde ele surgiu?! Ninguém pode afirmar o que desencadeia o crescimento desordenado das células que culminam no tão temido tumor maligno. Muitos colocam a culpa na alimentação, na genética, no padre, no governo... enfim... Mas se esquecem de olhar para si mesmas!

Veja se esse relato te lembra alguém: Ahhh, eu não tenho tempo pra mim,  acordo cedo, tenho que arrumar as crianças, levar para escola, ir trabalhar, depois volto, pego as crianças, faço almoço, casa, marido, trabalho... etc... Te parece familiar?

Ao longo desses seis anos que ando pelas clínicas aqui de Goiânia e converso com as pacientes, o que mais tive a oportunidade de escutar foi essa histórinha aí de cima... Mas não é só isso, não... Sempre me impressionou, a quantidade de mulheres tristes pelos dissabores que a vida trouxera, seja com os finais de relacionamento (top da lista), seja pela carreira não conquistada, problemas familiares, enfim, toda sorte de tristeza guardada no peito... Guardada onde?! Repete!

Pois então, ao longo de nossas vidas guardamos, não sabemos para que, mágoas, ressentimentos e tristezas em nossa alma... Será que isso também pode engrossar o caldo dos possíveis causadores do câncer?! Há quem diga que a maior parte das doenças são psicossomáticas. Mas tem quem abomine essa ideia. 

Nada nessa seara pode ser tão determinante, mas uma certeza precisa ficar gravada no coração, depois de um enfrentamento ao câncer,  nós temos que amar e cuidar em primeiro lugar de nós mesmas. Aquele papinho de que não tem tempo para você por causa dos filhos, mãe, pai, periquito e etc, tem que acabar, porque se você não se cuidar, pode ser que nem veja seu filho crescer. 

O câncer acaba sendo uma oportunidade para parar, respirar e olhar para dentro e aproveitar que já que tem dia que o negócio é cama mesmo, bora pegar uma vassoura e um pano e fazer uma faxina na casa mental e no coração. Jogue fora tudo que não te serve mais. Fácil? Não mesmo, mas necessário!

E aí vai sobrar espaço para uma boa música, contemplar o por do sol, admirar um sorriso de uma criança... enfim, alegria! Por que é a alegria que nos ajuda a aumentar a imunidade! E se a imunidade fica fortinha, o monstrinho do câncer não consegue nos pegar. 

Sempre com fé na vida e em Deus, nossos caminhos se encherão de luz e onde tem luz não há espaço para sombras, certo?! Então vamos mudar a maneira de olhar para nós, para a vida e para o câncer! Pois ele é muito menor que a força da criação!

E se você quiser nos contar sua história, pois acha que tenha algo haver com a história de tantas outras guerreiras é só mandar para cicatrizar@gmail.com! Vou adorar saber!