sexta-feira, 25 de abril de 2014

DA SÉRIE: COMPARTILHANDO EMOÇÕES POR ROSÂNGELA MELO


Escritora, talvez este seja o maior desafio a mim já proposto: escrever o outro lado do tratamento contra o câncer. O outro lado, este de cá, de quem nunca esteve doente, mas está constantemente diante de pessoas amadas que passam pelo tratamento contra a doença. A intenção é dizer aos leitores quais os sentimentos, as emoções, as contradições, as duvidas, os temores e os aprendizados que podemos levar diante da circunstancia. A dor que o outro vive, a dificuldade do tratamento, o medo da doença às vezes desconhecida, as formas de lidar com tantas mudanças, enfim, tomara consigamos alcançar um dialogo entre o blog e os leitores, estejam em tratamento ou acompanhando quem se trata. E que as palavras sejam, sempre, companhias em nosso caminhar. Sejam bem vindos ao compartilhando as emoções, uma serie de textos reais, baseados na realidade de nossos sentimentos. Estarei, sempre, aberta às criticas e idéias novas – novos senti mentos e olhares. Tomara que aprendamos juntos e possamos ensinar.

Parte I – Recebendo a Notícia

Ainda me lembro a primeira vez que ouvi a frase: “ela está com câncer”. A onda de sentimentos, o medo do desconhecido, da morte, o mix de sentimentos confusos oscilando entre “ela vai morrer” e “vamos lutar até achar a cura”. Compreendo que a primeira vez que um ente querido é diagnosticado com câncer o sentimento é de pavor: nós sentimos medo. Não sabemos o que vem a seguir, não sabemos o que dizer a quem está doente, não sabemos se paramos o mundo pra ficar com aquela pessoa que tanto amamos ou se tocamos a vida e ajudamos como pudermos. O segundo sentimento é o que determinará nossa própria vida.
Aos 23 anos minha irmã mais velha foi diagnosticada com um câncer de tireóide. “Um câncer comum de fácil de tratar” falou o médico, com a família reunida à sala de consultas. O que viria a seguir certamente seria inesperado, mas grandioso: o vivenciar aquela luta contra uma doença tão difícil pode ser um martírio ou uma lição. Somos nós, expectadores, que escolhemos o que vamos tirar do acompanhamento e do desenrolar das histórias vividas. E mais: nós determinamos o que serão nossos relacionamentos com o paciente em tratamento, do momento em que recebemos a noticia em diante.

Após a cirurgia e o inicio do tratamento, quem acompanha tem a dura escolha de aprender com o processo ou simplesmente se tornar expectador e sofrer a dor do desconhecido. Por isso afirmo que nosso segundo sentimento comandará o resto da caminhada: se escolhemos aprender, olhar mais a fundo o caminhar lado a lado para saber até onde podemos aprender com processo tão doloroso a pessoas a quem tanto amamos, certamente poderemos colher aprendizados para nós, nossas próprias vidas e como a encaramos em nossas rotinas.

Duas coisas posso afirmar, com absoluta certeza, após os 15 anos de tratamento de minha irmã, escolhendo andar junto e não apenas sendo expectadora: hoje cuido mais de mim, presto mais atenção aos sentimentos alheios, me preocupo mais com o sofrimento de quem está doente, procuro ser auxilio e não entrave a quem precisa de apoio durante esse processo que, definitivamente, não é fácil nem de simples tratamento.

Que os próximos capítulos de nossas “conversas” eu possa me aprofundar ainda mais nesse mar de sentimentos, aprendizados e descobertas que a vida nos traz quando ouvimos a frase – não tão temida mais  - “ela está com câncer”.


Até a próxima! 


Texto por: Rosângela Melo, Jornalista, Escritora, amiga/irmã do coração e mãe da Bia! ;)

Se você quiser compartilhar emoções aqui conosco, escreva para: cicatrizar@gmail.com e seja bem vinda (o)!

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