sexta-feira, 16 de maio de 2014

DA SÉRIE: COMPARTILHANDO EMOÇÕES!



Parte II – Sobre a solidão


Após o início do tratamento de minha irmã mais velha, que passou por um câncer de Tireóide, percebi que ela  iniciou um processo de isolamento que poucos entendem, muitos vivenciam e todos percebem – mas ninguém fala. O fato é que o paciente com câncer sofre de uma doença extremamente solitária, o processo de estar com um problema tão serio e passar por cirurgias, medicamentos químicos e tratamentos em isolamento (como o caso da Tireóide, que o paciente precisa se isolar em uma câmara de chumbo por alguns dias, devido ao medicamento que é radioativo), faz com que a pessoa se sinta sozinha, esquecida, a dor é dela e de mais ninguém. O processo é ela quem vivencia. As conseqüências em sua rotina é ela quem sofre. A vida que fica pra depois é a vida dela. Andar lado a lado com essa solidão requer um pouco de paciência e muito, mas muito amor.


A família que acompanha pacientes em tratamento vivencia todos os processos, mas nossa rotina é minimamente afetada. Por mais que isso soe um tanto egoísta, na verdade, é importante para o paciente saber que as pessoas que o acompanham estão tocando suas vidas – isso dá a eles a sensação de não estarem atrapalhando ou ainda de não estarem incomodando. Nós sabemos que paralisaríamos nossas vidas pelo tempo que fosse necessário para cuidar daquela pessoa que amamos, mas você deve se perguntar: isso seria bom pra ela? Se o momento for de parar tudo e ficar por conta, faça. Mas se quem está se tratando está bem, deixe-o viver sua solidão. Ofereça, diariamente seu amor, seu ombro amigo, seus ouvidos, sua paciência, sua companhia, isso sim faz muita diferença. A diferença esta entre a solidão e a solitude: nossos amados que passam por tratamentos de câncer vivem a solidão da doença, mas dificilmente escolherão a solitude. As dicas são: programe passeios simples com a pessoa querida, converse sobre trivialidades, preencha os dias dele com mensagens de amor, se interesse por entender o câncer e sobretudo: tenha paciência pois só ele sabe o tamanho da carga que carrega. Nós não sabemos. 


Até a próxima!


Texto por: Rosângela Melo, Jornalista, Escritora, amiga/irmã do coração e mãe da Bia! ;)

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