quinta-feira, 5 de junho de 2014

COMPARTILHANDO EMOÇÕES POR MURILO LEAL

ESPERANÇA


O que mais tememos em uma relação afetiva é a PERDA. O simples afastamento ou desentendimento já nos causa muito sofrimento. Tememos principalmente que a morte, pelo seu carácter definitivo, nos tome o convívio das pessoas amadas.


Ao longo da vida devemos aprender a lidar com frustrações: faz parte do processo de amadurecimento. Apesar disso, a perda de quem amamos é simplesmente intolerável. E quando o risco da perda se torna real, palpável, imediato?


O diagnóstico “câncer” nos lembra da morte. Apesar dos avanços da medicina, dos excelentes resultados nos centros desta especialidade mesmo em Goiás, esse diagnóstico significa risco de vida. Simples assim.

De fato, o crescimento exponencial das células doentes torna urgente a necessidade de tratamento. As estatísticas demonstram que as chances de cura diminuem muito se houver demora em iniciá-lo.

Pior: aprendi que os remédios utilizados no tratamento também podem matar. Se os seus efeitos colaterais imediatos não causarem problemas fatais, a perda de apetite, as náuseas, a desidratação e o enfraquecimento do corpo podem ser igualmente perigosos.

Sabendo ou não de todos os detalhes sombrios deste cenário, muitos simplesmente se afastam deste tipo de “problema” como se fosse uma doença altamente contagiosa. Hoje em dia as pessoas se preocupam em demasia com suas perspectivas pessoais, seu sucesso profissional, financeiro e emocional, sua tranquilidade perante a família ou a sociedade. Para mim é difícil entender gente que diz “amar” e, no momento de maior necessidade do companheiro, se afasta para se resguardar.


A esperança encoraja as pessoas, principalmente diante de situações de sofrimento. Nos ajuda a passar pelas dificuldades, a olhar para frente e ver como as coisas podem ser melhores. Qual nossa esperança? Que não vamos mais sofrer? Que vamos realizar todos nossos sonhos nesse mundo? Que não vamos perder ninguém próximo ou não vamos mais morrer?

Nesses momentos, não é a piedade, a solidariedade ou a empatia que devem guiar nossas ações. O sentimento básico deve ser a esperança. A mesma esperança que nos guia enquanto saudáveis. Afinal, qual é a certeza que estaremos vivos amanhã, ou que poderemos encontrar nossos pais e filhos mais uma vez?

A esperança de ajudar as pessoas amadas em seus maus momentos. A esperança de transformar seus momentos de dor em boas memórias. A esperança de aprender a ter força com quem está fraco. A esperança de superar nosso orgulho observando a sua resignação. A esperança de que ainda poderemos passar bons momentos com as pessoas que amamos.




Aprendendo a importância dos carinhos e prazeres mais elementares, da atenção e da paciência. Observando muito mais as pessoas que passam pelos mesmos problemas, aprendemos a dar valor em nossa própria saúde, nos movendo ativamente no sentido da solidariedade e compaixão.



Entendendo enfim que estar vivo e saudável é condição suficiente para compartilhar nossas muitas bênçãos com nossos irmãos. Digo que viver uma longa vida sem passar por esses “maus” momentos pode ser muito pior do que combater lado a lado com a pessoa amada, mesmo que por pouco tempo. E com certeza, desta guerra ambos sairão mais fortes e prontos para enfrentar o resto das suas existências.



Portanto, tendo certeza que Deus nos ampara e guarda mesmo em nossos momentos de aflição, aprendamos a ter e dar esperança às outras pessoas.


Murilo Leal é Engenheiro Eletricista,  sócio no The Dark Side Rock Bar e meu namorado! ;)



Um comentário:

  1. Tinha que ser engenheiro eletricista mesmo! Hehehehehehe! Valeu, colega!

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