segunda-feira, 15 de setembro de 2014

ÓCULOS DE FÉ!

Estava aqui olhando para o pé de limão que fica vizinho a minha janela e me lembrando de uma passagem do meu primeiro diagnóstico... Naquela ocasião, há cerca de seis anos atrás, não fazia ideia do que era uma quimioterapia, radioterapia e nem como seriam as tão famosas mastectomias.

Eu só sabia do medo e da esperança que habitavam no meu coração. Meus dias eram conflitantes, entre picos de angústia e alentos de fé! Graças a Deus, que o equilíbrio sempre tendeu para a esperança e a confiança em dias de vitória.

Mas em um desses dias, andando ainda na corda bamba das emoções, estava sentada em minha mesa de trabalho - já lidava com projetos sociais, porém em um hospital psiquiátrico - entrou uma senhora para conversar com minha colega que cuidava do serviço de voluntariado daquele mesmo hospital.

Revelou que havia feito tratamento para o câncer e que queria trabalhar como voluntária para se inserir novamente no mercado de trabalho, que não é tarefa fácil, como já abordado em posts anteriores. E então começou seu relato, e eu ali, ouvindo sem nada dizer, mas com o coração aos saltos, pois sabia que estava no mesmo cais do qual ela havia saído. E ela nem fazia ideia do que ia em meu íntimo.

Me senti imersa em uma história de terror, pois ela fez questão de destacar todos os pontos de sofrimento a que havia sido submetida, até que contou como seus dentes haviam caído em decorrência da quimioterapia. Naquele momento, tudo que consegui fazer foi me levantar e sair da sala. Claro que o banheiro socorreu meu pranto naquele momento.

Muita coisa se passou de la pra cá, e meus dentes não caíram... Rsss.... Mas sempre decidi pelo enfrentamento de forma positiva, então criei um mecanismo no qual sempre acreditei cegamente: não sou igual a ninguém, então vamos esperar pelas minhas próprias surpresas! Quem sabe serão positivas! Aliás só de poder tratar e ficar bem, já é um mega presente.

Claro que as pedras do caminho são punks, mas mais sensacional é podermos estar aqui agora contemplando meu pé de limão da janela!

Nessa caminhada conheci muitas pessoas que estavam chegando nesse mesmo porto turbulento, onde todas impreterivelmente sabemos que vamos sofrer um pouquinho, rs... Mas quem não sofre nessa vida? Agora o sofrimento é do tamanho e duração que você escolher... Eu posso ficar o resto da vida chorando porque tive que tirar as mamas, ou me achar o máximo por estar com tudo em cima quase chegando aos quarenta!

E essa decisão passa também em as vezes não dar ouvidos - sendo educada, porque não podemos descer do salto nunca! Rsss -  ao que escutamos das pessoas, pois existem do outro lado da decisão positiva aqueles, que preferem se aliar a todos os sortilégios da doença, como sendo a via onde se ganha atenção.

Ao longo desses poucos mais de seis anos, tenho tentado sempre levar esperança e fé, por onde passo, mas se quiserem, também tenho muitas estórias cavernosas para contar! SQN!!! Rsssss....












segunda-feira, 1 de setembro de 2014

LET'S MOVE! O RETORNO!


Hoje foi um dia de atitude! Depois de oito meses, dei asas a coragem e voltei para a academia! Para vocês pobres mortais que não tiveram câncer de mama (rs), pode até parecer que isso é algo corriqueiro, ou até meio sem importância. Mas acreditem em mim, não é! 

Em 'posts' anteriores, sempre falamos da importância de se fazer exercícios físicos, pois o sobrepeso, pode ser um fator de risco para uma recidiva do câncer de mama. Eu mal tinha acabado a última químio e o meu médico já estava me perguntando quando eu voltaria a malhar... Ufa! Vida de paciente não é nada fácil! rs...

O que estava estranho era a falta de vontade, o desânimo de encontrar com a minha amada bicicleta indoor, meu pilates e os torturadores aparelhos de musculação, mas a explicação veio em meio uma consulta de rotina... Veja bem, Ludmilla, o tratamento que você fez não foi brincadeira não, seu organismo vai levar um tempo para voltar.

Pois bem, marquei uma data no meu coração e eis que agora darei mais condições para que minhas células se regenerem... E isso realmente é surpreendente, pois a condição física que eu estava antes do início do tratamento é que me permitiu segui-lo tão bem.

Então, mãos a obra, meninas, let's move! 

O retorno, sempre é dificil, e é claro que escolhi uma aula de spinning, para marcar esse feito. E lá, a cada pedalada, um pedaço desse filme de oito meses, quimio, radio, enjoo, diarreia, internação, enfim, foi passando pela minha mente fazendo que um sentimento de gratidão invadisse meu coração.

GRATIDÃO, essa é a palavra! Sou grata a Deus por estar aqui ainda, grata a vida que me permite ser tão feliz tendo cada um de vocês por perto, me apoiando e me incentivando a dar o melhor de mim todos os dias!

E que venham mais dias felizes, para cada uma de nós que enfrentamos de peito tão aberto, essa guerra! E para quem não enfrenta também! risos...