quarta-feira, 26 de agosto de 2015

JEJUM

Pensando nessa rotina de exames, remédios e afins, me lembrei de um termo usado por uma filosofa que eu gostava muito na época da faculdade. Ela falava sobre a banalidade do mal, este livro contava a história do Coronel nazista que foi a julgamento por cumprir ordens ao mandar matar muitas pessoas. 

Salvo a proporção e a diferença de assunto, esse termo, 'banalidade do mal' me fez refletir nas rotinas de exames. Estou naquela semana que todos os pacientes em controle conhecem. Uma lista básica de jejum, furos, angústias, ansiedades, contrastes, etc.  Claro que temos consciência que fazer exames é para o nosso bem.

Resultado de imagem para consultas medicasAté ouvi do meu querido médico, na última consulta, que se tudo estivesse bem dessa vez, poderíamos passar a fazer exames a cada seis meses de novo. Por que segundo ele, de três em três meses é só para os fortes. (rs).

Mas a reflexão é que de fato, com o tempo acostumamos, ou achamos que acostumamos, tentamos encarar com naturalidade a máquina claustrofóbica da tomografia, a barulheira da ressonância e até mesmo a peregrinação do Pet Scan. Os furos dos exames de sangue? Ahhh, nem ligo mais! kkkk

Mas as vezes o corpo fala, mesmo que a gente não queira e aí você dá pulinhos de felicidade quando descobre que a clínica nova tem uma máquina de ressonância aberta e que a sua R.M de crânio não vai mais te causar palpitações! kkkkkkk. 

A gente não entende porque estamos irritadiças, cansadas e até mesmo sem apetite. Mas aí você se lembra que está apreensiva, afinal o Pet pode te libertar, por uma caminho mais doce, ou não... Mas a tensão antes de uma prova sempre vai existir não é mesmo?

Resultado de imagem para pet scanHoje faço mais um Pet Scan, já não sei mais qual é esse, perdi a conta... Sim, as pessoas geralmente marcam, quantos fizeram ao longo do caminho... Mas acho que precisamos acreditar que acostumamos sim e que é muito legal. Afinal, aqui em Goiânia está um calor, maluco e a sala do Pet é uma sucursal do Pólo Norte. Morram de inveja! kkkkkkkkkkk

E desculpem o mau humor deste post, mas é que estou em jejum! 

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

4x4




Resultado de imagem para lutoDemorei a entender o que estava acontecendo. Ainda não compreendo muito bem o fenômeno, Nem para falar dele direito. O fato é que depois dessa quarta recidiva e tudo o que veio com ela, atravessamos um período sombrio... que graças a Deus, está passando.

Quando meu médico me perguntou se eu queria tomar um remédio para diminuir essa ansiedade e tristeza, o efeito foi tão bom que comecei a emergir.. sem nem cogitar tomar nada... kkkkkkkkk.. Sim, é verdade, não gosto de remédios!

Foram tantas decisões, procedimentos e incertezas que quando a poeira assentou, eu precisa me recolher e digerir tudo o que havia passado e tudo o que o câncer havia me tirado dessa vez. Mas ele não tirou o principal, a vontade de viver!

É certo que para muitas coisa ainda falta um pouco de ânimo, assim, até peço perdão pela ausência aqui com vocês. Mas falar de dor e perda, só serve para ajudar quem está vivendo lado a lado com elas e de preferência depois que já se pode acrescentar luz na receita!

A certeza de que existe uma finitude nos apavora. Viver com essa certeza requer firmeza e coragem, principalmente para quem vive com o fio da navalha no pescoço. Mas o nome de tudo isso parece que é luto. 

Resultado de imagem para 4x4Depois que ouvi essa palavra, entendi que estava vivendo mais um processo de crescimento nessa batalha chamada luta contra o câncer. O que eu perdi? Difícil ainda traduzir em palavras. Mas segundo meu médico/amigo, pela primeira vez nesses sete anos, eu desliguei o 4x4.

Mas já tracei de novo e rumei para a estrada que me interessa: a vida! Se vou voltar para o 4x4, não sei, acho que mudei. Tantas outras coisas já deixam de importar... 

O importante é saber, que mesmo quando tudo parece estar escuro, existe dentro de nós a força necessária para transpor as barreiras, do medo, do luto, das tristezas... Só é preciso dar espaço ao nosso amigo TEMPO... ele cuida de nós... pois é um enviado de nosso Pai Maior! Assim,  se você está triste, saiba que é apenas mais uma fase e como todas as outras vai passar. Mas tenha força e siga em frente!



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quinta-feira, 25 de junho de 2015

POR MAIS TEMPO


As fichas começam a cair. Nem sempre o conceito da coisa é a própria coisa, entenderam? Nada neh? kkkkkk. Vou explicar. Essa semana foi lançada a campanha "por mais tempo", uma iniciativa para se incorporar medicamentos ao SUS que garantam uma melhor sobrevida às pacientes que vivem com o câncer metastático.

Aí, a gente começa a pesquisar e a querer entender o que é? Ou seja, a campanha faz todo sentido e atinge sim seus objetivos. Mas por outro lado, me fez colocar os pés no chão e olhar para o problema de outra forma. Me lembro que antes de ter a primeira recidiva, conheci uma mulher que convivia com metástases nos ossos. Certa vez, ao retornar de uma consulta, eu tentando entender e especulando ao máximo sobre sua doença, ela me disse: "eu não pergunto nada para médica. Não quero saber." 

Naquele dia fiquei em choque, como que alguém que vive com esse inimigo pode não querer conhecê-lo? Não entendia ainda, no meu início de caminhada na luta contra o câncer o que significa saber,,,

Olhamos para a doença, sempre acreditando na sua remissão. E que assim seja sempre. Mas será que queremos mesmo saber quem ela é? O tamanho? A proporção? Muitas pessoas estão preparadas para isso, outras não. Na campanha "por mais tempo", mulheres que tiveram seus dias colocados em um contador digital, falam da esperança de viver além desses prognósticos médicos com um ar de fé que nos encoraja a seguir em frente.

Mas elaborar tudo isso não é fácil. Então precisamos mesmo é de entender que para cada sorriso, talvez tenhamos sim que derramar uma lágrima, pois ela lava a dor e nos permite olhar com mais nitidez e serenidade para os caminhos que teremos que seguir. Sejam eles quais forem. Fácil? Não. Mas possível.

Dentro da minha especialização em oncologia prática (Rsss), ao longo desses quase sete anos, frente a frente com o câncer, se eu estiver certa, só agora fui entender conceitualmente que enfrento um câncer localmente avançado. O que significa isso? Segundo as teorias, é quando o câncer atingiu os linfonodos axilares ou algum tecido da mama, tipo pele, por exemplo. O que isso muda? Nada, a não ser o fato de ter elaborar o que a palavra avançado causa no meu intimo. Mas sigo com o mesmo tratamento e a mesma fé e confiança de sempre. 

Assim como a palavra câncer causa panico em quem nunca viveu nada parecido, o avançado para quem já vive com a arma apontada na cabeça surte o mesmo efeito para quem não tem conhecimento, e não entende a diferença entre primário, avançado, metastático... A lista é tão longa que cada categoria se subdivide, pelos tamanhos e características. Logo podemos ver a importância de uma campanha que esclarece o que é e quais as soluções que podem aliviar nossos corações.

Agora, a esperança é que haja sempre a possibilidade da solução. Por isso somos fortemente à favor da campanha "Por Mais Tempo!"


Pra conhecer mais:
https://www.youtube.com/watch?v=l97EwNxjg7E

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Sua vontade é de quem?

A busca incessante pelo reequilíbrio da saúde, nos leva a vários horizontes. Um dos que mais gosto é a psicologia. Muitas vezes lidar com os nossos universos não é tarefa fácil e é preciso um olhar externo que consiga nos arrancar dos vícios de pensamentos.

Dentre os vários caminhos e estudos, uma fala, de uma facilitadora de constelação familiar (ótimo tratamento psicológico), me fez parar para refletir muito a cerca do que fazemos quase que maquinalmente todos os dias. A questão era sobre o que nós fazemos por alguém e para alguém.

Parece simples, não é? Todavia, se aprofundarmos um pouco mais o pensamento, vamos perceber que a maioria de nossas ações, não são motivadas pela nossa vontade, pelo nosso entusiasmo, mas pela necessidade de se atender à anseios que vem de fora. 

Diz -se que quando fazemos algo "pôr" alguém, estamos perpetuando e de certa forma carregando nossos antepassados e consequentemente quando fazemos "para" alguém estamos nos voltando para os nossos sucessores.

E aí é aquele momento que a gente para e pensa, o que eu faço por mim mesma? O que eu gosto, o que eu quero... Para onde quero ir... O que eu não quero.. São perguntas que nem sempre estamos dispostas a responder e por isso arrumamos mil e uma desculpas... O trabalho, os filhos, o marido, os pais.... a política a igreja, o centro... enfim, qualquer coisa que ocupe minha mente e me impeça de ver a minha própria verdade.

Todos queremos o estado de saúde, de não doença, mas precisamos entender que ela pode ser a liberação de tanta energia acumulada e guardada, nas fileiras da nossa não condição de olharmos para dentro de nós.

Nos assumirmos como seres únicos e imperfeitos, ainda está em uma fase embrionária. Mas seguir em frente, tentando entender o que nos move ou o que não nos move, é que pode trazer um pouco de alívio por meio do crescimento. E sim, a psicologia pode ajudar a visualizar aquela luzinha lá no final do túnel...