quinta-feira, 26 de março de 2015

Enfrentar... É o que temos para hoje!




Resultado de imagem para raioDiz um ditado popular que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Não sei bem a que tipo de raio o ditado se referia... Tenho a sensação de que estamos em uma estação de trem, muitos chegando, outros saindo e tantos outros chegando pela segunda, terceira, quarta vez... Vejo a energia de quem enfrenta a doença pela primeira vez e admiro a força e coragem em encarar o inimigo.


Lembro que quando fiz o primeiro tratamento, conversei com uma moça na recepção da radioterapia, e ela me disse que tinha tido uma recidiva e estava ali tratando pela segunda vez. Fiquei dias pensando em como deveria ser difícil enfrentar tudo de novo. Nem me imaginava enfrentando o câncer cara a cara mais uma vez. Tinha certeza que quando a última sessão de radio terminasse, eu viraria a página e tudo voltaria ao normal.


E o que é normal?

Uma amiga querida, que lutou bravamente dos dezesseis aos vinte e sete anos contra o câncer, me disse quando soube que eu estava na terceira recidiva: "Essa é a nossa vida amiga... Sempre combater o bandido!" Nessa ocasião ela estava não sei lá em qual metástase... 

E assim, os embates foram vindo e a gente enfrentando. Hoje quando olho para trás, vejo o quanto tenho sido forte, pois pra quem não imaginava passar por tudo de novo, encarar o medo pela quarta vez é algo extraordinário.

E na caminhada a gente aprende que a força vem de acordo com a necessidade. Que Deus nos ampara para lutarmos pelo que é mais importante: a vida! Fácil?! Não... não é mesmo... Quem vive essa rotina de médico, exame, quimio, radio e etc., sabe que é para poucos.

E de mais a mais, temos que manter o sorriso, a esperança, a força e a fé. O câncer não gosta desses elementos e aí com a presença deles, logo ele vai embora! 




quarta-feira, 18 de março de 2015

PET O QUE? PET/CT PARA INICIANTES.


Resultado de imagem para pet scanOntem foi dia de Pet Scan! E me chamou a atenção as conversas na sala de espera... As pessoas não tem muita noção do que é esse exame, para que ele serve e o que ele pode causar. 

Tem tanto mito em torno dessa doença, que ontem ouvi um paciente perguntando se depois de fazer esse exame ele iria perder sua libido. Sim, ele era homem e pela primeira vez realizaria o tal pet scan!

Mas vamos entender um pouco sobre esse tão temido e muitas vezes desejado exame! PET - SCAN, ou Tomografia por Emissão de Positrons, é um exame de imagem que utiliza uma substância radiotiva (18 - Fluordesoxiglicose) para rastrear células tumorais no corpo.

Ele consegue identificar uma célula cancerígena, justamente porque essas células captam essa substância que é a base de glicose. Para isso é necessária uma dieta desde o dia anterior ao exame, baseada em proteínas. Não pode comer doces! Snif! Sofro Horrores! E nem carboidratos, pois esse se transforma em glicose e pode atrapalhar o exame.

Quem já fez uma tomografia, não tem muita novidade no que esperar do exame, já que a técnica é justamente a interposição dela com a tomografia de emissão de positrons. Ah... entendi tudo! Não se preocupem... O importante é saber que esse exame não tem nada de muito além de uma tomografia. A máquina até parece um pouco com ela. 

Ele não causa impotência ou coisas do gênero. A radiação é rapidamente eliminada do organismo, não causando mal a ninguém. Mas é claro que se não for necessário, melhor evitar, assim como a própria tomografia.

Somente seu médico saberá da real necessidade do PET/CT, pois com ele o médico consegue avaliar o tamanho ou não do problema. Então não fiquemos ansiosos com esse aliado nosso. Apesar dele nos deixar com muita fome, pois são necessários geralmente seis horas de jejum, ele é um grande aliado!

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quinta-feira, 12 de março de 2015

VÍTIMA EU?!


Ninguém pode afirmar ainda qual é a causa do câncer. Achamos que diversos fatores levam ao surgimento da doença. E ainda vai muito chão até que a medicina consiga nos responder essa questão.

Mas uma vez enfrentando a doença, muitas pessoas tentam achar um culpado para tudo o que está vivendo. Culpamos primeiro a genética, depois o estresse, os médicos, o sistema... enfim, qualquer um que queira assumir a responsabilidade pelo nosso sofrimento.

Claro que também discordamos quando se diz que o doente é responsável pelo seu adoecimento. Ninguém adoece por que quer e os processos emocionais que muitas vezes levam a somatização são muito mais sutis e intrínsecos do que se imagina.

O desumano é que muitas vezes joga-se no doente a responsabilidade de forma equivocada do que ele está vivendo, muitas vezes dizendo inclusive que o câncer é uma doença que vem para nos ensinar algo e que é necessário que se entenda esse ensinamento para se curar.

E nada é tão simples assim. O emocional tem o seu quinhão de responsabilidade, o meio, o estresse, a alimentação. Mas não existe um culpado. Não temos que procurar um culpado, Porque essa ideia de culpa nos coloca em uma posição de vítimas de uma fatalidade, onde o exterior é culpado de nossos infortúnios.

Todavia, existe uma conexão entre o modo de pensar e os acontecimentos exteriores. São pessoas influenciadas pelas velhas crenças, prejudicadas pelos velhos hábitos, pela carga genética e pela maneira que foram criados.

A vítima se sente impotente e indefesa em face de um destino cruel. Mas esquecemos que ninguém pode fazer-nos agir ou sentir de determinada maneira sem a nossa permissão, podem apenas nos estimular a reagir a determinados estímulos.

Por isso que precisamos assumir o comando de nossas vidas, saindo do posicionamento infantil, que nos coloca como vítimas do destino e assumirmos a responsabilidade por nossos atos e atitudes. Nos posicionando frente a doença com coragem, determinação e fé.

Pois se o pensamento pode criar, temos que nos exercitar a realizar o melhor para nós mesmos!




terça-feira, 3 de março de 2015

E a sua cicatriz? Vai bem, obrigada!

Ao longo do tempo, tenho visto que diversas mulheres se libertarem de esconder suas cicatrizes. Mas também acompanho como é a expressão de quem não vive o câncer de mama, quando vêem uma imagem de uma mulher sem o seio.

Difícil imaginar o desapego dessas mulheres que de peito aberto, ou melhor sem o peito, se colocam em frente as câmeras e à vida. O seio é a representação feminina mais forte, ligada a vida, pois é dele que se amamenta o filhote. Por isso muito ligado feminino.

Doído ouvir a primeira vez que se tem que tirar o seio, por causa do câncer. Mas aos poucos vamos também nos apegando mais a vida do que o que gira em volta de nós mesmos, numa concepção de amplitude muito maior.

Mas para isso as vezes é preciso tempo... E quem não tem esse tempo? Como é que se faz o mecanismo de compensação? E o que é mecanismo de compensação? rs... Sempre que estamos em um momento de decisão complexa, tentamos compensar uma perda com um ganho. Isso é natural. 

Para muitas ainda é doloroso olhar para suas cicatrizes, outras nem olham. Cada uma tem um tempo para assimilar e aceitar os desafios que a vida lhe impõe. Não cabe a nós julgar o que deve ou não ser feito, ou mostrado. Mas cabe a nós respeitar a coragem de quem se expõe, seja para compartilhar a dor, seja para insultar o preconceito ou seja para alertar outras mulheres sobre o risco da doença.

Mas fica a pergunta.. Até que ponto nós nos reconciliamos com as nossas cicatrizes?