terça-feira, 3 de março de 2015

E a sua cicatriz? Vai bem, obrigada!

Ao longo do tempo, tenho visto que diversas mulheres se libertarem de esconder suas cicatrizes. Mas também acompanho como é a expressão de quem não vive o câncer de mama, quando vêem uma imagem de uma mulher sem o seio.

Difícil imaginar o desapego dessas mulheres que de peito aberto, ou melhor sem o peito, se colocam em frente as câmeras e à vida. O seio é a representação feminina mais forte, ligada a vida, pois é dele que se amamenta o filhote. Por isso muito ligado feminino.

Doído ouvir a primeira vez que se tem que tirar o seio, por causa do câncer. Mas aos poucos vamos também nos apegando mais a vida do que o que gira em volta de nós mesmos, numa concepção de amplitude muito maior.

Mas para isso as vezes é preciso tempo... E quem não tem esse tempo? Como é que se faz o mecanismo de compensação? E o que é mecanismo de compensação? rs... Sempre que estamos em um momento de decisão complexa, tentamos compensar uma perda com um ganho. Isso é natural. 

Para muitas ainda é doloroso olhar para suas cicatrizes, outras nem olham. Cada uma tem um tempo para assimilar e aceitar os desafios que a vida lhe impõe. Não cabe a nós julgar o que deve ou não ser feito, ou mostrado. Mas cabe a nós respeitar a coragem de quem se expõe, seja para compartilhar a dor, seja para insultar o preconceito ou seja para alertar outras mulheres sobre o risco da doença.

Mas fica a pergunta.. Até que ponto nós nos reconciliamos com as nossas cicatrizes?




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