quinta-feira, 30 de abril de 2015

AS PERDAS DO CAMINHO




Resultado de imagem para AceitaçãoAlgumas mudanças levam tempo para serem assimiladas. Me recolhi essas duas semanas, porque precisava ficar comigo mesma. Algumas transformações que levariam muito tempo, me foram colocadas em caráter de emergência e ainda estou tentando digerir.

Ao longo de todos esses anos, enfrentei a doença, os tratamentos e tudo o que fosse necessário. Mas ficar sem peitos nunca passou pela minha cabeça. Dessa vez o bandido, me roubou temporariamente eles. E isso não foi tão fácil de aceitar. E quando é assim é melhor que a gente se cale e se reconstrua.

Entendo que existem mulheres que não se importam, mas infelizmente eu não sou uma delas e quero sim meus peitos de volta! Com o passar dos dias, vamos acostumando e aceitando melhor a nova condição. Mas a todo momento buscando subterfúgios para acalmar a visão, o coração e a alma...

A pior frase: É só um peito. 

Não, não é só um peito. É o seu corpo sendo mutilado, por uma doença que insiste em te dizer que a vida é frágil. 

Não, não é só um peito. É a condição do feminino sendo atacada. 

Não, não é só um peito. É sua auto estima. Seu auto amor. 

Mas é claro que existe superação. É claro que sabemos que não somos só um peito. Que temos muito mais nesse complexo sistema de ossos, carne, nervos, fluídos, sentimentos, emoções, crenças, etc. 

No entanto, nos deixem enterrar sim, tudo o que o peito nesse momento representa, por que de fora de mim, infelizmente ninguém sabe quais os esforços que faço para enfrentar tudo isso.

Já está passando e se Deus assim permitir, logo tudo cai de novo na zona de conforto e seguimos a diante... A força, a determinação e a vontade de viver não diminuem em nenhum momento. Por isso, que tentar nos consolar dizendo que nos preferem vivas mesmo sem peito, não faz efeito nenhum. Porque no nosso coração essa certeza já impera. Venceremos quantas vezes forem necessárias. 

Mas choraremos sim, quando isso importar, por cada perda do caminho.



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quarta-feira, 15 de abril de 2015

NAS ASAS DA FÊNIX



Quando a gente pensa que já sabe muito, a vida ensina que na verdade ainda estamos no jardim da infância. Há cerca de sete anos, lutamos contra um câncer de mama, todos já sabem disso, já foram inúmeros exames, agulhadas, medicamentos, estresses, vitórias, lágrimas, raivas, alegrias, comemorações, vômitos... 

Já me sentia preparada para lidar com o bandido do jeito que fosse.

Em 2008, quando tudo começou tomei a decisão de viver e isso tem sido o norte de todas as batalhas. Houveram entre-guerras mais suaves, outros nem tanto, mas as batalhas sempre foram duras e vencemos todas até aqui com a graça de Deus!

De lá pra cá sempre me questionei muito sobre vários aspectos da vida. Muita coisa mudou e sei que hoje sou muito melhor, enquanto ser humano. Muito longe ainda de ir para o céu. rs... 

De dezembro para cá, voltamos a lutar, o bandido escondido, teimava em ser encontrado. Mas o alento veio em forma de medicamento, afinal, conheceria a tão sonhada TDM1, que nem o cabelo faz cair! Puts! É o paraíso! Fazer quimio e não ficar com estomago parecendo que se vive em uma montanha russa... 

Ahhhh certeza que essa tiro de letra e logo, logo o bandido já era... Maaaaaaaaaaaas, a vida tem que nos ensinar... E as lições são punks! Dentro da calmaria surgiu o caos, e estou conhecendo a realidade de outras tantas mulheres que tiveram que enterrar seus peitos!

Inflamação. Extrusão. Cirurgia para retirada das próteses, no meio da viagem.. Já foram dois ciclos de quimio. O que eu sinto? Ainda nada. Não me preparei para isso.  

Mas já tinha tomado uma decisão lembra? Quero ficar mais tempo no planetinha azul... então mais uma vez, que nem criança, seguro nas mãos de Jesus e me entrego na sabedoria daqueles que cuidam da minha saúde física.

Mas aquelas 'coisas' ficam reverberando na mente... e depois? e o que me faz mulher? terei vergonha? como vou encarar? não queria... mas é preciso... Sempre disse as minhas amigas mastectomizadas que não puderam reconstruir as mamas, que eu não entendia o que era ficar sem peito, pois pode parecer bobagem para quem não vive a situação...mas não é! Por outro lado é claro que tem gente que consegue processar isso mais rápido e são em vocês que estou tentando me espelhar...

Sei que vou me reinventar mais uma vez, colocando todo o amor na vida, naqueles que amo e em tudo que quero viver e realizar... E a fênix ressurgirá, linda como a consagrei em uma tatuagem nas costas. Que por sinal será parte de uma futura reconstrução se Deus permitir, pois para ter meus peitos de volta, teremos que 'rodar um retalho' das costas... acho q vou preferir cobrir eles com as asas da fênix! rs....


quinta-feira, 9 de abril de 2015

ANSIEDADE. VIDA. FORÇA.



Resultado de imagem para ansiedadeViver pensando no que será nos causa ansiedade. Em tempos de crise, quando se está em tratamento, como não ter ansiedade? A doença mais temida por todos, o câncer, escolheu testar nossa capacidade de resistência. E o futuro? Tudo fica incerto!


Seguir os dias tentando encarar com normalidade, toda sessão de exames, consultas, mudanças no corpo e na alma, realmente não é tarefa das mais simples. Os dias se tornam palcos de construções e reconstruções. Muitas coisas deixamos de lado ao longo do tempo. 

Perdemos a vaidade? Não... Lógico que não, apenas nos concentramos na beleza que dura mais! rs...

Não podemos mais olhar para trás, pois aí os problemas se tornam maiores. Lembrar de como a vida era antes da doença, pode causar depressão naqueles que não se prepararam para a caminhada. E a vida segue, queira ou não. 

E aí a gente pergunta, o que fazer? Tentar viver no presente, é a melhor resposta. Cada dia com suas dificuldades e vitórias. O tratamento por si, já nos turva a visão e dificulta muita vezes o raciocínio. A quimio muitas vezes tem esse poder de nos tontear!

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Fácil? Só para os fortes? 

Não... Essa doença não escolhe.


Li, esses dias sobre as frases que não se deve falar para alguém em tratamento de câncer, e uma delas me chamou a atenção: Você é forte! Penso muito sobre essa questão de ser forte. Será que a força muitas vezes não é falta de opção?

Depois que o bandido aparece, existem duas escolhas, se entregar ou enfrentar. Seja em qualquer uma dessas escolhas, a única opção é ser forte. E o que é ser forte? Não reclamar? Não chorar? Sorrir?

Ah sim, é mais leve ser forte. É mais confortante ter esperança. A fé que nos alimenta e direciona cresce na medida em que sorrimos para a vida. Tudo se ilumina quando pensamos que um dia chegou ao final e estamos ali, diante do por do sol, vivos e com o coração cheio de vontade de que novo dia se inicie.

Mas chorar e ter medo não fazem parte de quem é forte? Engana-se quem pensa assim. Ser forte é tentar equilibrar os medos e anseios com a fé, esperança e coragem. Força é condição para superação. E esses elementos precisam estar diariamente sendo alimentados.

Isso não significa que vez ou outra, não precisemos deixar cair por meio de muitas lágrimas, tantas coisas que ficam as vezes guardadas lá dentro do coração. E como seria bom se pudéssemos, tirar de uma só vez tudo aquilo que nos faz mal.  E será que a gente consegue perceber o que nos faz mal?

Aí voltamos aquele nosso velho ponto de partida... O perdão. Nesse caminho que o câncer nos coloca, talvez a lição mais importante seja a de aprender a perdoar. A começar a perdoar a nós mesmos, por tanta ansiedade. 

E de repente, tudo parece que fica grande. Vazio, cheio. A consciência se expande e um calorzinho surge dentro do peito... É a vida te dizendo que está cuidando de você! 


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quinta-feira, 2 de abril de 2015

PÁSCOA: Vamos nos Renovar?



Resultado de imagem para fé em deusAproveitando o ensejo da Semana Santa, não há outro assunto a se falar a não ser a fé! Quando voltamos nossos olhares e coração para o significado que esse feriado tem, lembramos que há mais de dois mil anos estamos tentando aprender a amar!

As vezes olhar para frente se torna algo obscuro e difícil. A vida que esperamos seja sempre de alegrias, se torna um ritual ardiloso de ser concluído. Mas não é somente para nós, que temos que enfrentar esse bandido chamado câncer. Todos seres humanos, de alguma forma está enfrentando uma batalha. Mas aqui, estamos focados nessa batalha chamada cura.

E a fé, essa certeza de que há uma luz no final do túnel, deve estar presente durante toda a caminhada. Pois é ela que nos sustenta. Assim, nessa páscoa, rogamos ao Mestre Jesus, que continue nos carregando em seus braços e nos fortalecendo diante das dificuldades.

Que todas possam aproveitar esse momento, para uma reflexão. Que diante da necessidade de se perdoar, cuidar e amar, possamos aceitar a renovação que a doença nos proporciona.

Feliz Páscoa!


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