quarta-feira, 20 de maio de 2015

O PRA SEMPRE ACABA?


Até hoje não conheci ninguém que tenha lutado contra o câncer que não me relatasse ser muito ansiosa. Eu então.. nem se fala! rs...

Resultado de imagem para ansiedadeO fato é que esse é o mal do século, vivemos em constante alerta, ansiosos, por razões que nem nós mesmos conhecemos. Mas na vida não existe antecipação e nem adiantamento, somente o propício de cada um.

Mas lidar com isso no dia a dia, quando se luta contra uma doença ou até mesmo quando se chega a velhice, carece de um bom treinamento ao longo da vida. O passado já não existe mais e não poderemos ficar por lá. O futuro não nos pertence, podemos apenas tentar delinear alguns de seus traços, mas não determiná-los.

Vivemos em um busca constante de garantias, no amor, na saúde, na vida financeira, enfim, em todos os âmbitos de nossa vida, sem nos darmos conta que o Renato Russo já havia dito:

"Se lembra quando a gente, chegou um dia acreditar, que tudo era pra sempre, sem saber que o pra sempre sempre acaba..."

E nós não somos preparados para viver nesse torvelinho de emoções. Não aprendemos como lidar com as constantes mudanças que a própria vida impõe para que dessa forma saiamos de nossa zona de conforto e alcancemos o amadurecimento.

Nossa ansiedade não faz com que árvores dêem frutos instantâneos, nem faz com que as roseiras floresçam mais céleres.  E nem faz com que o câncer se vá. Pelo contrário a ansiedade cria um ambiente psíquico propício para a propagação da doença. 

Assim, pensemos no que estamos fazendo para domesticar nossa ansiedade. Tratemos ela com carinho, pensando sempre no amor como solução!



quarta-feira, 6 de maio de 2015

HOJE TEM QUIMIO?


Hoje foi dia de quimio e foi dia também de Deus reforçar um dos motivos pelos quais eu acho que Ele permite que eu fique mais um pouquinho no planetinha azul...

Contextualizando, geralmente a quimio é feita em ambulatórios, algumas clínicas possuem apartamentos individuais para aqueles pacientes mais debilitados ou que precisem dessa necessidade. E ali se passam algumas horas.

No primeiro tratamento que eu fiz eu adora fazer minhas medicações no ambulatório e foi lá que conheci algumas mulheres extraordinárias, que lutavam a mesma batalha que eu. Ficamos amigas e vivemos bons momentos até que elas tiveram que ir embora para a verdadeira casa.

Resumindo assim talvez não dê para descrever as sensações e emoções de se lutar lado a lado com alguém contra esse inimigo implacável. E eu sei que de lá para cá sempre me escondi dos ambulatórios quando possível. Quando isso não era possível, podia se presenciar um dos raros momentos de me pegar chorando. 

Mas a vida em suas constante marcha em nos fazer mudar, me levou a ter que mudar de clínica, o que me gerou muito desconforto, pois a gente tem uma mania de se sentir seguro, ali, pertinho do nosso próprio médico.  Mas, como temos o objetivo 'ficar viva', em mente o tempo todo, vamos lá... respiramos fundo e vamos de peito aberto encontrar nossas gotinhas para viver.

Quem enfrenta essa realidade de medicação, SUS, convenio, seja lá o que for em oncologia, sabe que é talvez a parte mais delicada do processo, pois o alto custo das medicações em conjunto com os entraves de muitos convênios, e aqui incluímos o SUS também mas com um peso de o dobro de dificuldade dos demais, vive a tensão da autorização do convênio, bem como em alguns casos da chegada da medicação.

Comigo não é diferente. Hoje estou fazendo a quimio com uma semana de atraso, pois tive que mudar de clinica e aí até que se corre com a burocracia no Brasil, ganhamos de presente uma semana de tensões, estresse e angústia. Se eu desespero? Não mais. Sinto e mentanlizo que Deus está à frente de tudo e que aquilo é o melhor pra mim nesse momento. 

Fácil? Não... Exercício constante para acalmar e conformar a mente inquieta que sabe que atrasos podem ser fatais. E hoje entendendo as razões Dele, conheci alguém também muito especial nessa nova realidade em que fui inserida.

Com cara de poucos amigos, me sentei na última poltrona do ambulatório da nova clínica. Respirando fundo, controlando o choro (Incrível como uma coisa boba meche tanto com a gente neh?), tentando dominar minha raiva das duas televisões infernais ligadas e as conversas das pessoas fiquei ali tentando ler um livo.

Começamos sempre com os antialérgicos e aí comecei a minha viagem com Morfeu... apago sempre com difenidrin! kkkkkkkkkkkkk. Pouco antes notei que uma jovem mulher, tal qual eu mesma, sentou ali, do meu lado.. no fundo.. onde eu havia tentado não ser notada. Não queria conversa. 

Acordo ouvindo um comentário com o nome do meu médico, mas sigo quieta, escutando. Quando a senhora que estava à nossa frente, me diz que me conhecia da clínica anterior e aí com respostas monossilábicas fui inserida na conversa.

Resultado de imagem para mulher chorandoFiquei assim, até que percebi que minha vizinha de poltrona estava chorando. Perguntei a ela o motivo e ela me disse que estava nervosa demais, porque há um ano ela havia descoberto metástases no pulmão e fígado e que o medico lhe havia assegurado que não poderia haver atrasos com suas aplicações. 

A dela tinha atrasado um dia. Parece pouco neh? Mas vocês conseguem imaginar a reprodução de uma célula cancerígena em um dia?  Mas sem nem perceber, me armei do melhor sorriso, peguei na mão dela e pedi que ela não chorasse, pois Deus estava cuidando dela também. E disse que com meus conhecimentos de oncologia prática (risos) que eu tinha certeza de que de um dia para o outro não haveria tanto problema... E ela se acalmou.

Pronto. Acabou minha marra. A luta não é só minha. E a gora que vou estar sempre por ali no ambulatório, o que eu posso fazer por você?